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Política e Justiça

Nossa Senhora AparecidA: TSE derruba FAKE NEWS sobre Flávio e página de 2022 não aparece no GOV.BR

TSE classificou como inverídica a narrativa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil. Entenda o projeto antigo e o que se sabe sobre uma página de 2022 que não está mais localizada no GOV.BR.

Por devm8 min de leituraAtualizado em
Nossa Senhora AparecidA: TSE derruba FAKE NEWS sobre Flávio e página de 2022 não aparece no GOV.BR

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A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro entrou na reta final das Eleições 2026 depois que publicações passaram a afirmar que o candidato do PL ou sua família pretendiam retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral classificou esse núcleo factual como “notoriamente inverídico” e determinou a remoção de conteúdos.

Ao mesmo tempo, voltou a circular a informação de que uma página de 2022 do GOV.BR, sobre uma oração de consagração do Brasil feita por Jair Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida, não está mais disponível. A página não foi localizada na consulta atual, mas não há documento público consultado que permita afirmar que Luiz Inácio Lula da Silva tenha ordenado pessoalmente sua retirada.

O que o TSE decidiu sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida

Em 25 de setembro de 2026, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, proferiu decisão na Representação nº 0602260-84.2026.6.00.0000, apresentada por Flávio Bolsonaro.

Na decisão, o ministro reconheceu, para os fins da tutela provisória, como notoriamente inverídica a afirmação apresentada como fato de que Flávio Bolsonaro ou sua família teria proposto, articulado, apoiado ou pretendido promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil.

O documento judicial pode ser consultado no sistema PJe do TSE.

A ordem alcançou publicações específicas e também determinou que X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube adotassem medidas contra conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes que repetissem o mesmo núcleo factual.

O ministro também delimitou a decisão: críticas, opiniões, sátiras, discussões sobre religião e política e publicações destinadas a desmentir a informação não estão automaticamente abrangidas pela ordem.

De onde surgiu a história sobre retirar o título de Padroeira do Brasil

A narrativa que viralizou em 2026 utilizou como pano de fundo um projeto de lei que realmente existiu, mas que é antigo e não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.

Trata-se do Projeto de Lei nº 2.623/2007, apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli.

A proposta pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Também modificaria a referência a “culto público e oficial”.

O projeto não avançou. Foi rejeitado na Comissão de Educação e Cultura e arquivado em agosto de 2008.

O projeto antigo não é de Flávio Bolsonaro e está arquivado

A própria Câmara dos Deputados já publicou esclarecimentos sobre o assunto. O PL 2.623/2007 foi apresentado por Victório Galli e está arquivado há anos.

Flávio Bolsonaro não aparece como autor, coautor ou responsável pela proposição. Também não foi localizada proposta atual de sua autoria com o mesmo objetivo.

A CNN Brasil registrou que publicações nas redes utilizaram declarações de Flávio sobre religião para criar associação com o projeto antigo. O candidato negou que pretenda alterar a condição de Nossa Senhora Aparecida.

A GloboNews também corrigiu informação divulgada durante a cobertura do episódio e reconheceu que o projeto citado era antigo e não tinha relação com Flávio Bolsonaro.

Nossa Senhora Aparecida continua sendo Padroeira do Brasil

A condição mencionada no debate continua expressamente registrada na legislação federal.

A Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, declara 12 de outubro feriado nacional para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, identificada no texto legal como Padroeira do Brasil.

Portanto, o desaparecimento ou a indisponibilidade de uma página de comunicação institucional no GOV.BR não muda essa condição legal. Alterar o texto da lei exigiria processo legislativo próprio.

O que aconteceu em 2022 com a consagração feita por Bolsonaro

Em 24 de outubro de 2022, Jair Bolsonaro, então presidente da República e candidato à reeleição, realizou na Capela do Palácio da Alvorada uma oração de consagração do Brasil a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

O ato foi divulgado publicamente à época. Registros contemporâneos reproduziram a oração e imagens da cerimônia. Um dos textos publicados em 2022 registra que Bolsonaro realizou a oração como chefe da Nação e consagrou simbolicamente o Brasil a Nossa Senhora Aparecida.

Esse ato religioso e político de 2022 é diferente da condição legal de Padroeira do Brasil estabelecida pela Lei nº 6.802/1980. A existência ou retirada de uma página sobre a oração não cria nem extingue o título previsto em lei.

A página da consagração foi retirada pelo governo Lula?

A transcrição de um vídeo do canal Ancapsu, fornecida como material de apoio para esta reportagem, afirma que existia no GOV.BR uma página intitulada “Presidente consagra Brasil a Nossa Senhora Aparecida” e que ela poderia ser recuperada por meio do Internet Archive. O vídeo atribui a retirada da página ao governo Lula.

Na verificação realizada para este artigo, a página original não foi localizada por busca pública no GOV.BR. Também não foi encontrado comunicado oficial informando quando o conteúdo deixou de ficar acessível, quem determinou essa alteração ou qual foi a justificativa administrativa.

Por isso, há uma diferença importante entre duas afirmações: é possível registrar que uma página antes divulgada como oficial hoje não foi localizada; já afirmar que Lula pessoalmente ordenou sua remoção exige evidência documental que não foi encontrada nesta pesquisa.

Também não há base para afirmar que a retirada de uma página de comunicação tenha retirado de Nossa Senhora Aparecida o status de Padroeira do Brasil. Esse status permanece previsto em lei.

Há prova de que o governo Lula criou a fake news?

Até a verificação desta reportagem, não foi localizada prova documental suficiente de que o governo federal ou a campanha de Lula tenha criado originalmente a narrativa falsa sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida.

O que está documentado é que a alegação circulou amplamente nas redes, foi reproduzida por perfis identificados com a esquerda e o campo governista e chegou à cobertura jornalística. A CNN relatou que o episódio beneficiou politicamente o PT nas redes segundo levantamento da Palver, mas benefício político e circulação entre apoiadores não equivalem a prova de autoria do governo.

Flávio Bolsonaro atribuiu publicamente a narrativa à chamada “milícia do PT” e sua campanha buscou responsabilização judicial. Essa é uma acusação do candidato e precisa ser apresentada como tal enquanto não houver conclusão judicial ou prova independente que identifique os responsáveis pela origem da campanha.

Por que o TSE mandou remover as publicações

A decisão de André Mendonça considerou a escala de circulação e a proximidade do primeiro turno. Segundo dados apresentados pela defesa de Flávio ao processo, o conteúdo teria aparecido em 2.086 publicações de 1.674 contas e ultrapassado 21 milhões de visualizações.

Esses números foram levados aos autos pela parte autora e não devem ser confundidos com auditoria independente realizada pelo Tribunal.

O ministro entendeu que a simples retirada de links individuais seria insuficiente diante da replicação multiplataforma. Por isso, determinou que os provedores retirassem conteúdos equivalentes ao núcleo considerado falso e preservassem dados relacionados às publicações.

A decisão também procurou limitar o alcance da ordem para preservar crítica política, opinião, sátira e divulgação jornalística. Trata-se de tutela provisória e seu conteúdo ainda pode ser revisto nas etapas seguintes do processo.

A atuação da Justiça Eleitoral sobre conteúdos de campanha também aparece em outros casos recentes. A DEVM explicou, por exemplo, a decisão que mandou retirar vídeo de Lula gravado no Palácio da Alvorada e a suspensão cautelar da campanha de Deltan Dallagnol ao Senado.

O que ainda pode mudar

A ordem de André Mendonça é provisória. O próprio regime das decisões eleitorais permite submissão ao colegiado, recursos e novas determinações conforme o processo avance.

Também pode surgir documentação adicional sobre a origem da narrativa nas redes ou sobre o histórico administrativo da antiga página do GOV.BR. Se houver manifestação oficial com data, responsável e justificativa para a retirada do conteúdo, essa informação deverá ser incorporada ao artigo.

Até lá, as conclusões seguras são as que possuem documentação: o projeto usado como referência é de 2007 e está arquivado; o TSE considerou falsa a associação desse projeto a Flávio Bolsonaro; Nossa Senhora Aparecida continua mencionada em lei como Padroeira do Brasil; e o ato de consagração realizado por Jair Bolsonaro em 2022 ocorreu, embora a página oficial citada em registros daquele período não tenha sido localizada na consulta atual.

A disputa envolvendo Nossa Senhora Aparecida reuniu um fato antigo, uma narrativa falsa e uma controvérsia sobre memória digital do governo. O ponto juridicamente mais claro é a decisão do TSE: não havia suporte factual mínimo, segundo André Mendonça, para dizer que Flávio Bolsonaro ou sua família pretendiam retirar o título de Padroeira do Brasil.

Também é verificável que Bolsonaro realizou uma consagração religiosa do Brasil em 2022 e que o conteúdo correspondente hoje não foi localizado no GOV.BR. O que não está comprovado, com as fontes consultadas, é que Lula tenha determinado pessoalmente a retirada da página ou que o governo Lula tenha criado a fake news que circulou contra Flávio.

Para acompanhar o caso sem transformar alegação política em fato, o próximo passo é observar eventuais decisões do Plenário do TSE e qualquer explicação oficial sobre o histórico da página do GOV.BR.

Perguntas frequentes

Flávio Bolsonaro propôs retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil?

Não. O Tribunal Superior Eleitoral considerou notoriamente inverídica, em decisão provisória de 25 de setembro de 2026, a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou sua família teriam proposto, articulado, apoiado ou pretendido retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

De onde surgiu a associação entre Flávio Bolsonaro e a retirada do título de Padroeira do Brasil?

A narrativa utilizou como referência o Projeto de Lei nº 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli. O projeto pretendia alterar a expressão 'Padroeira do Brasil', mas não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e atualmente consta como arquivado na Câmara dos Deputados.

Nossa Senhora Aparecida continua sendo reconhecida como Padroeira do Brasil?

Sim. A Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, continua em vigor e declara 12 de outubro feriado nacional para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, identificada no próprio texto legal como Padroeira do Brasil.

A página sobre a consagração realizada por Jair Bolsonaro em 2022 ainda está disponível no GOV.BR?

Na verificação realizada para a reportagem, a página oficial citada em registros de 2022 não foi localizada por busca pública no GOV.BR. Porém, não foi encontrada documentação oficial que identifique quem determinou sua retirada, quando isso ocorreu ou qual foi o motivo.

Há prova de que o governo Lula criou a fake news sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida?

Não foi localizada prova documental suficiente para afirmar que o governo federal ou a campanha de Lula tenham criado originalmente a narrativa. O que está confirmado é que a alegação circulou nas redes sociais, foi reproduzida por diferentes perfis e posteriormente teve seu núcleo factual considerado inverídico pelo TSE.

Fontes e referências

Documentos, dados, declarações e reportagens citados neste artigo.Como usamos as fontes

  1. Decisão na Representação nº 0602260-84.2026.6.00.0000Tribunal Superior Eleitoral
  2. PL 2623/2007 — ficha de tramitaçãoCâmara dos Deputados
  3. Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980Presidência da República
  4. Entenda polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora AparecidaCNN Brasil
  5. Mendonça manda derrubar posts sobre Flávio e Nossa Senhora AparecidaCNN Brasil

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devm

Conteúdo publicado pela equipe editorial da DEVM.

Editor principal: Jorge Mira.