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Política e Justiça

Roberta Luchsinger diz que quer fazer delação e cita Lula e Lulinha

Roberta Luchsinger afirmou à CNN que deseja buscar um acordo de colaboração premiada e que não pretende poupar Lula nem Lulinha. Até agora, não há delação formalizada.

Por DEVM6 min de leituraAtualizado em
Roberta Luchsinger diz que quer fazer delação e cita Lula e Lulinha

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Roberta Luchsinger disse que quer fazer delação e que, se um acordo de colaboração premiada avançar, não pretende poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A declaração foi feita em entrevista exclusiva exibida pela CNN Brasil na noite de sábado, 17 de outubro.

Até agora, porém, não há confirmação de uma delação formalizada ou homologada. Roberta manifestou intenção de colaborar e disse que poderia acrescentar informações às investigações. Após a entrevista, Lula afirmou que desconhece as acusações e negou envolvimento nas tratativas mencionadas por ela.

O que Roberta Luchsinger disse sobre a delação

Durante a entrevista, Roberta afirmou que deseja firmar um acordo de colaboração premiada e que poderia fornecer detalhes que, segundo ela, não aparecem nas mensagens já analisadas nas investigações.

Questionada sobre quem poderia ser citado, declarou que não pretende poupar Lula nem Lulinha. A empresária também disse que poderia colaborar sobre situações que afirma ter presenciado, mesmo quando não participou diretamente dos fatos.

“Eu não vou poupar ninguém.”

Roberta Luchsinger, em entrevista à CNN Brasil em 17/10/2026.

A declaração é relevante porque Roberta aparece em investigações relacionadas a articulações empresariais e políticas envolvendo Lulinha e outros personagens ligados à Operação Sem Desconto. Isso, no entanto, não transforma o conteúdo da entrevista em prova. As informações precisariam ser apresentadas às autoridades, verificadas e corroboradas durante a investigação.

Querer fazer delação não significa que exista um acordo

“Delação premiada” é o nome popular da colaboração premiada, instrumento previsto na Lei nº 12.850/2013. O acordo pode oferecer benefícios legais a quem colaborar de forma efetiva e voluntária com uma investigação, desde que sejam cumpridos os requisitos previstos na legislação.

A manifestação pública de vontade não cria um acordo automaticamente. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a colaboração é um negócio jurídico voluntário e que um investigado não pode obrigar as autoridades a celebrar o acordo. Quando existe uma negociação formal, a validade também passa pelo controle judicial.

Por isso, o estado correto do caso neste momento é: Roberta declarou que quer buscar uma colaboração premiada. Não há confirmação pública, até esta verificação, de acordo fechado ou homologado.

O que ela afirmou sobre Lulinha e integrantes do governo

Roberta afirmou à CNN que Lulinha teria se reunido “inúmeras vezes” com ministros do governo do pai e que ela própria era procurada por integrantes do Executivo para ajudar a conseguir agendas ou prioridade em projetos.

“É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros.”

Roberta Luchsinger, à CNN Brasil, em 17/10/2026.

Essas declarações precisam ser lidas como alegações da entrevistada. A existência de uma reunião ou contato político não demonstra, por si só, prática de crime, favorecimento ou participação em irregularidades. Para qualquer conclusão nesse sentido seriam necessários documentos, provas e análise das autoridades responsáveis.

“Eu nunca procurei muito ninguém. As pessoas me procuravam.”

Roberta Luchsinger, à CNN Brasil, em 17/10/2026.

A empresária também fez afirmações sobre relações de Lulinha com empresários e projetos privados. Como parte dessas alegações ainda depende de confirmação independente e manifestação das pessoas e empresas citadas, a DEVM não as trata como fatos estabelecidos.

Como Roberta e Lulinha aparecem nas investigações

Roberta Luchsinger já era investigada em desdobramentos da Operação Sem Desconto antes da entrevista. A Polícia Federal mantém apurações sobre fraudes relacionadas ao INSS e, em fases posteriores, passou a investigar também movimentações financeiras, lavagem de dinheiro e possíveis articulações de interesses privados perante órgãos públicos.

Segundo reportagens da CNN e da Folha de S.Paulo baseadas em documentos da investigação, Roberta e Lulinha aparecem em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e outras condutas. Ambos têm direito à presunção de inocência, e investigação não equivale a indiciamento, denúncia aceita ou condenação.

Em depoimento prestado anteriormente à Polícia Federal, Roberta afirmou que apresentou Lulinha a Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em um contexto social. Na ocasião, também negou ter repassado recursos ao filho do presidente.

A DEVM já acompanhava um dos desdobramentos dessa relação no artigo sobre a viagem de R$ 1,8 milhão atribuída a Lulinha e Roberta Luchsinger. A entrevista de 17 de outubro abre uma frente diferente porque trata diretamente da intenção de colaborar com as investigações.

O que Lula respondeu à entrevista

Durante a entrevista, Roberta também reagiu a declarações anteriores de Lula em que o presidente a chamou de “pilantra”. Em 1º de outubro, durante participação no Flow Podcast, Lula voltou a usar o termo ao falar sobre a empresária.

“para me chamar de pilantra”

Trecho da fala de Roberta Luchsinger à CNN Brasil em 17/10/2026.

Roberta afirmou ainda que recebe ameaças e relacionou publicamente esse risco às falas do presidente. Ao falar sobre a própria segurança e a das filhas, declarou:

“vai ter a digital do presidente da República”

Roberta Luchsinger, em entrevista à CNN Brasil em 17/10/2026.

Essa afirmação representa uma acusação feita pela entrevistada. Até a verificação desta matéria, não foi apresentada prova pública que ligue Lula a ameaças contra Roberta ou suas filhas.

Depois da exibição da entrevista, Lula afirmou em nota divulgada pela CNN que desconhece as acusações e as supostas tratativas mencionadas por Roberta. O presidente também negou envolvimento com ela.

A nota questionou o momento das declarações, feitas às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. Segundo Lula, denúncias sem comprovação não devem ser usadas para influenciar a opinião pública.

A resposta não encerra a discussão sobre o conteúdo apresentado por Roberta. O que poderá alterar o estado factual do caso será a apresentação de elementos verificáveis às autoridades, eventual negociação de colaboração e novas decisões ou manifestações oficiais.

O que ainda precisa ser confirmado

O fato confirmado neste momento é a entrevista e a declaração de Roberta de que pretende buscar colaboração premiada. Também está confirmada a resposta de Lula negando conhecimento das acusações e envolvimento nas tratativas citadas.

Ainda precisa ser confirmado se a defesa de Roberta apresentará formalmente uma proposta de colaboração, se Polícia Federal ou Ministério Público aceitarão negociar e quais fatos ou provas poderiam ser oferecidos. As alegações feitas por ela sobre Lula, Lulinha, ministros e empresários também precisam de verificação independente antes de qualquer conclusão.

A DEVM atualizará esta matéria se houver acordo formal, manifestação das autoridades responsáveis ou documentos que mudem o estágio das investigações.

Perguntas frequentes

Roberta Luchsinger já fez uma delação premiada?

Não há confirmação de acordo de colaboração premiada já firmado ou homologado. Roberta afirmou à CNN que deseja buscar uma colaboração e que poderia acrescentar informações às investigações.

O que Roberta Luchsinger disse sobre Lula e Lulinha?

Roberta afirmou que, se avançar em uma colaboração premiada, não pretende poupar Lula nem Lulinha. Também fez alegações sobre reuniões de Lulinha com integrantes do governo. Essas declarações são alegações da entrevistada e não equivalem, por si só, a fatos comprovados.

O que Lula respondeu às declarações de Roberta Luchsinger?

Em nota divulgada após a entrevista, Lula afirmou desconhecer as acusações e as supostas tratativas mencionadas por Roberta, negou envolvimento com ela e questionou o momento das declarações, às vésperas do segundo turno.

O que é colaboração premiada?

É um instrumento previsto na Lei nº 12.850/2013. Um investigado pode oferecer informações e provas em troca de benefícios previstos em lei, mas o acordo depende de negociação, requisitos legais e controle judicial. Apenas declarar vontade de colaborar não significa que já exista um acordo válido.

Fontes e referências

Documentos, dados, declarações e reportagens citados neste artigo.Como usamos as fontes

  1. Luchsinger diz que quer fazer delação e não vai poupar Lula nem LulinhaCNN Brasil
  2. Lula diz que desconhece inteiramente acusações de Roberta LuchsingerCNN Brasil
  3. Luchsinger diz à CNN que Lulinha sentou inúmeras vezes com ministrosCNN Brasil
  4. PF deflagra nova fase da Operação Sem Desconto para apurar lavagem de dinheiroPolícia Federal
  5. Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013Presidência da República
  6. 2ª Turma decide que investigado não tem direito líquido e certo a acordo de colaboração premiadaSupremo Tribunal Federal
  7. Amiga de Lulinha afirma que quer fazer delação premiada e chama presidente de mentirosoFolha de S.Paulo
  8. Ministros me pediam ajuda para ter agenda com Lula, diz Luchsinger à CNNCNN Brasil
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  10. Lula chama lobista amiga de Lulinha de Vorcaro feminino e pilantra muito grandeFolha de S.Paulo

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DEVM

Conteúdo publicado pela equipe editorial da DEVM.

Editor principal: Jorge Mira.