O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria nesta sexta-feira, 25 de setembro, para não afastar Paulo Gonet dos processos relacionados ao caso Master. A decisão parcial mantém o procurador-geral da República na atuação ligada às investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Isso, porém, não significa que o Conselho tenha encerrado a análise sobre Gonet: na atualização mais recente verificada pela DEVM, o colegiado ainda votava se deveria designar outro subprocurador-geral para aprofundar a apuração sobre a atuação do PGR.
O que o Conselho do MPF decidiu até agora sobre Gonet
O ponto que já tem maioria definida é o pedido para afastar Paulo Gonet dos procedimentos ligados ao Banco Master. Na atualização mais recente localizada durante a sessão, sete conselheiros haviam votado contra o afastamento e nenhum havia votado a favor.
Com isso, Gonet permanece atuando como procurador-geral da República nos processos relacionados ao caso Master no Supremo, salvo nova decisão competente que altere essa situação.
A sessão, entretanto, analisa mais de uma questão. O Conselho também precisa decidir se existem elementos suficientes para designar um subprocurador-geral da República para examinar fatos relacionados à própria atuação de Gonet.
Não afastar Gonet não significa arquivar a apuração
Essa distinção é central para entender o julgamento. Uma votação trata da permanência de Gonet nos processos do caso Master. Outra trata da possibilidade de abrir uma apuração específica sobre sua conduta.
Portanto, a maioria contra o afastamento não equivale automaticamente a uma conclusão de que não existe nada a investigar, da mesma forma que uma eventual decisão pela abertura de apuração não significaria reconhecimento de crime.
Enquanto a segunda votação não terminar, o resultado correto é: Gonet já tem maioria para permanecer nos casos do Master, mas a decisão sobre uma apuração própria ainda está pendente.
Por que o Conselho Superior do MPF está analisando o caso
O procedimento em análise é a Notícia de Fato PGR-00385698/2026. Segundo o próprio Ministério Público Federal, ela foi aberta para verificar se existem elementos suficientes para investigar a atuação do procurador-geral nas apurações relacionadas ao Banco Master, especialmente nas PETs 15.556/DF e 16.662/DF, em tramitação no STF.
A análise ganhou força após a divulgação de material extraído pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Mensagens encontradas no aparelho fazem referências que foram associadas a Gonet, e também veio a público uma fotografia em que o PGR aparece ao lado de Vorcaro em um evento realizado em Londres, em 2024.
A existência das mensagens e da fotografia não resolve, sozinha, a questão examinada pelo Conselho. O colegiado avalia se o conjunto de informações justifica uma apuração própria e quais efeitos institucionais devem decorrer desse material.
A DEVM já explicou em outro conteúdo como a Polícia Federal relacionou mensagens e vestígios digitais encontrados no celular de Daniel Vorcaro.
O que diz Paulo Gonet sobre a relação com Daniel Vorcaro
Paulo Gonet nega manter relação de proximidade ou interesse pessoal com Daniel Vorcaro. Em manifestações públicas anteriores, o procurador-geral afirmou que encontrou o ex-banqueiro uma única vez, em abril de 2024, durante um evento que reuniu outras pessoas e autoridades.
Gonet também sustenta que as referências feitas por terceiros nas mensagens não demonstram atuação irregular de sua parte.
Essas afirmações representam a posição do PGR. O Conselho Superior analisa justamente se o material disponível exige apuração adicional, razão pela qual a defesa de Gonet e os questionamentos levantados no procedimento não devem ser tratados como conclusões definitivas antes do encerramento da análise.
O que diz a lei sobre uma investigação envolvendo o PGR
A competência do Conselho Superior aparece na Lei Complementar nº 75, de 1993, que organiza o Ministério Público da União.
O artigo 57, inciso X, atribui ao Conselho a função de designar um subprocurador-geral da República para examinar inquérito, peças de informação ou representação sobre crime comum atribuível ao procurador-geral da República e, se for o caso, promover a ação penal.
É por isso que a discussão desta sexta-feira não corresponde a um julgamento criminal de Gonet. O Conselho avalia se deve existir uma apuração conduzida por outro membro do último grau da carreira.
Como está o placar sobre abrir uma apuração contra Gonet
Esse é o ponto que continuava indefinido no momento da verificação desta matéria.
Na atualização mais recente localizada, publicada às 17h23, o placar estava em 4 votos a 3 a favor de abrir uma apuração sobre a atuação do procurador-geral. A votação ainda não havia terminado.
O relator, subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, votou pelo arquivamento do procedimento. Outros conselheiros divergiram e defenderam que os fatos fossem examinados com maior profundidade.
Como ainda havia votos pendentes, a DEVM não trata o placar de 4 a 3 como resultado definitivo.
O que muda na prática com a maioria contra o afastamento
O efeito imediato é institucional: Paulo Gonet não será afastado dos processos do caso Master apenas em razão da deliberação examinada nesta sessão.
Isso preserva sua atuação como PGR nos procedimentos relacionados ao caso que chegam ao Supremo. O resultado não equivale à perda ou manutenção do cargo de procurador-geral, porque a sessão não está decidindo a destituição de Gonet da chefia da PGR.
Também não impede, por si só, que o Conselho determine uma apuração conduzida por outro subprocurador. São decisões com objetos distintos.
O que ainda pode acontecer nesta sessão
O principal ponto pendente é a votação sobre a designação de outro subprocurador-geral para aprofundar a análise dos fatos envolvendo Gonet.
Se o Conselho formar maioria pelo arquivamento, essa etapa do procedimento interno será encerrada, salvo eventual medida posterior cabível. Se houver maioria pela apuração, um subprocurador deverá ser designado para examinar o material e verificar se existem elementos que justifiquem providências adicionais.
Uma eventual apuração não corresponde a denúncia, condenação ou reconhecimento de culpa. Ela abriria uma nova etapa de verificação.
Como a sessão ainda estava em curso às 17h29, qualquer atualização posterior deve prevalecer sobre o placar parcial registrado nesta versão.
O Conselho Superior do MPF já formou maioria para manter Paulo Gonet nos processos relacionados ao caso Master. O ponto, porém, não encerra o procedimento.
Na última atualização verificada, o colegiado estava em 4 a 3 pela abertura de uma apuração específica sobre a atuação do PGR, com a votação ainda em andamento. Para entender o resultado final, será necessário separar essas duas decisões e conferir a deliberação oficial do Conselho assim que a sessão for concluída.





