Uma investigação publicada pela Reuters em 13 de outubro de 2026 colocou a auditoria de segurança da IA no centro de um debate sobre transparência. Segundo duas pessoas familiarizadas com negociações privadas, OpenAI e Anthropic buscaram influência sobre o que avaliadores independentes poderiam divulgar ao examinar seus modelos. As empresas contestaram partes dessa interpretação e afirmam defender avaliações externas, com proteção de dados confidenciais.
O impasse não é sobre proibir todos os testes, mas definir quem controla a publicação dos resultados. Um relatório independente precisa de liberdade para apontar falhas, enquanto o acesso a sistemas internos também envolve segredos comerciais, dados sensíveis e riscos de segurança.
O que a Reuters revelou sobre as auditorias de IA
A reportagem, assinada por Aditya Soni, afirma que duas fontes próximas das conversas relataram pedidos de controle editorial por parte das desenvolvedoras de IA. Segundo essas fontes, em 5 de outubro as negociações ainda incluíam restrições significativas sobre o que poderia ser publicado. Em 8 de outubro, algumas conversas envolvendo a Anthropic teriam avançado.
Entre as medidas discutidas, conforme a Reuters, estavam a presença de funcionários das empresas durante avaliações conduzidas dentro dos laboratórios e limitações ao trabalho simultâneo dos mesmos avaliadores em organizações concorrentes. A justificativa apresentada é reduzir o risco de vazamento de propriedade intelectual.
Essas informações foram atribuídas a fontes que conhecem tratativas reservadas. Não equivalem à divulgação dos contratos finais, nem demonstram, por si, que resultados de auditorias já tenham sido falsificados ou ocultados.
Como OpenAI e Anthropic responderam à investigação
A Anthropic afirmou à Reuters que a descrição de uma busca por controle significativo não representa adequadamente todas as suas negociações. Segundo a empresa, avaliadores com quem já mantém relações têm autonomia sobre métodos, critérios, conclusões e decisões de publicação. Para novas organizações avaliadoras, porém, a companhia afirmou reservar o direito de comentar e aprovar relatórios enquanto a relação de trabalho é estabelecida.
A OpenAI declarou que não busca aprovar o texto integral dos relatórios produzidos pelos avaliadores. A empresa disse que costuma solicitar a supressão de informações confidenciais e que os pesquisadores podem indicar quando cortes importantes foram realizados.
Essas respostas precisam ser lidas ao lado dos compromissos públicos. Em princípios divulgados em 22 de setembro, a OpenAI defendeu independência editorial, transparência de métodos e políticas claras de confidencialidade. A Anthropic anunciou em 18 de setembro uma parceria com a Accenture, conduzida pela Faculty, para desenvolver avaliações externas integradas. Na ocasião, reconheceu que as regras de acesso e divulgação ainda estavam em elaboração.
O que é uma auditoria de segurança da IA
Uma auditoria de segurança da IA é uma avaliação realizada por terceiros para verificar alegações sobre riscos e controles de um sistema. Isso pode envolver testes de comportamento de modelos, análise de mecanismos de proteção, acesso a registros e revisão de como a empresa responde a incidentes.
Nos modelos chamados de avaliação integrada, ou embedded evaluation, pesquisadores externos passam a trabalhar mais perto das equipes e dos sistemas internos da desenvolvedora. Esse acesso pode melhorar a qualidade do exame, mas também aumenta a exposição a informações sensíveis.
Por isso, há quatro perguntas distintas: os auditores receberam dados suficientes? Podem escolher métodos e critérios? Podem chegar às próprias conclusões? E podem divulgar essas conclusões com clareza? Independência técnica não é necessariamente o mesmo que liberdade de publicação.
O que o relatório da METR mostra sobre revisão e sigilo
Existe um exemplo concreto anterior à nova reportagem. Em 26 de agosto de 2026, a organização METR e pesquisadores da Redwood Research publicaram uma investigação independente sobre o comportamento de agentes da OpenAI em um incidente envolvendo a plataforma Hugging Face.
Os pesquisadores relataram acesso a dados e registros internos durante seis dias presenciais de trabalho. Também informaram que a OpenAI podia suprimir dados não públicos e ofereceu comentários que motivaram correções e mudanças de estrutura, ênfase, clareza e tom no relatório.
O contraponto é essencial: segundo a própria METR, fora das ressalvas explicitadas, a OpenAI não removeu informações adicionais importantes para as conclusões. Portanto, o documento mostra como funcionam revisões e supressões em uma avaliação real, mas não é prova de encobrimento das conclusões naquele caso.
Para entender o contexto técnico do incidente, a DEVM já publicou a notícia sobre agentes Claude e OpenAI que acessaram sistemas durante testes. Esse episódio é diferente da disputa atual sobre direitos de publicação.
Qual é o limite entre proteger segredos e prejudicar a transparência
É razoável que um relatório público não exponha senhas, dados pessoais, vulnerabilidades ainda exploráveis ou detalhes proprietários desnecessários para compreender um risco. Cortes específicos podem preservar essas informações sem invalidar o trabalho dos avaliadores.
O problema aparece se as limitações impedirem o público de entender o que foi testado, quais riscos foram encontrados ou se as conclusões ficaram condicionadas à aprovação da organização avaliada. Por isso, é importante que os relatórios expliquem seu escopo, as condições de acesso e, quando cabível, a existência de supressões relevantes.
Também existem pesquisas que avaliam riscos ainda em desenvolvimento. Um exemplo recente é o estudo da Anthropic sobre IA autorreplicante em dispositivos conectados. O trabalho mostra por que é importante separar os resultados observados em laboratório das projeções sobre ameaças futuras.
O que muda para usuários e empresas que utilizam IA
A investigação não anunciou mudança de preço, suspensão do ChatGPT ou do Claude, nem alteração direta nos recursos dessas plataformas. Seu impacto imediato é sobre a confiança nas avaliações de segurança usadas para embasar decisões de adoção de IA.
Quem desenvolve ou contrata sistemas com IA deve observar quem produziu cada relatório, se houve acesso adequado, quais limitações foram registradas e se os resultados podem ser publicados sem interferência indevida. Independentemente da auditoria, também continuam necessários cuidados com dados confidenciais, permissões mínimas e supervisão humana para tarefas sensíveis.
O próximo ponto a acompanhar é a divulgação dos acordos de avaliação, de relatórios adicionais e de eventuais esclarecimentos das empresas. Até 13 de outubro de 2026, a reportagem documenta uma disputa sobre as condições dos exames externos, não uma fraude comprovada.
Perguntas frequentes sobre auditorias independentes de IA
OpenAI e Anthropic proibiram auditorias independentes de IA?
Não há evidência de proibição geral. A Reuters relatou negociações sobre a publicação dos resultados; ambas dizem apoiar avaliações externas, com proteção de informações sensíveis.
O que é uma auditoria de segurança da IA?
É uma avaliação realizada por terceiros para examinar riscos, alegações de segurança e salvaguardas de sistemas de inteligência artificial, considerando o escopo e o acesso efetivamente concedidos.
A OpenAI quer aprovar o relatório inteiro antes da publicação?
Segundo sua resposta à Reuters, não. A empresa afirmou que não busca aprovar textos integrais e que pede a proteção de informações confidenciais, permitindo aos avaliadores indicar cortes relevantes.
Qual foi a resposta da Anthropic?
A empresa afirmou que avaliadores com quem já trabalhou controlam métodos, critérios, conclusões e publicações; para novos parceiros, disse reservar o direito de comentar e aprovar relatórios enquanto a relação é construída.
O relatório da METR foi alterado pela OpenAI?
Os pesquisadores descreveram supressões de informações não públicas e ajustes após comentários da empresa, mas disseram que não houve outras exclusões relevantes para suas conclusões além das exceções documentadas.





